Angiomioma na Cavidade Bucal: Relato de Caso

Angiomioma na Cavidade Bucal:

Relato de Caso

Angiomioma en Ia Cavidad Bucal: Relato de Caso Angiomyoma in the Oral Cavity: Case Report

Fernando Esgaib Kayatt* Marcelo Kayatt Lacoski** Idelmo Rangel Garcia Jr***

Kayatt FE, Lacoski MK, Garcia Jr IR. Angiomioma na cavidade bucal: relato de caso. Rev Ibero-am Odontopediatr Odontol Bebê 2003; 6(34):470-3.

o angiomioma pode aparecer em qualquer parte do corpo, originando-se das células mus­culares ou de suas precursoras na camada média dos vasos, porém, é raramente encon­trado na cavidade bucal. O diagnóstico clínico é muito difícil e o tratamento indicado é cirúrgi­co. É relatado um caso de paciente do sexo feminino, com nove anos de idade, que se quei­xava de “inchaço no rosto”. Após biópsia excisional foi diagnosticado, no exame histopatológico, angiomioma (Ieiomioma vascular).

PALAVRAS-CHAVE: Neoplasias vasculares; Angiomioma; Odontopediatria

Atualmente, a maioria dos pesquisadores acre­dita que o angiomioma representa, com bastante probabilidade, uma malformação hamartomatosa, enquanto que o leiomioma sólido representa um ver­dadeiro neoplasma e que, portanto, estas duas entidades devem ser nitidamente separadas (Shafer, 1985).

O tratamento indicado é a sua excisão cirúrgica conservadora.

INTRODUÇÃO

O angiomioma é um tumor benigno, derivado do músculo liso, e encontrado em várias localizações anatêmicas, incluindo pele, tecido subcutâneo e ca­vidade bucal. Na cavidade bucal é raro, devido à au­sência generalizada de músculo liso, exceto nas pa­redes de vasos sangüíneos e, ocasionalmente, nas papilas circunvaladas da língua (Shafer, 1985). Sua maior ocorrência é em adultos entre 40 e 60 anos, em uma proporção de 2: 1 para o gênero masculino (Gutmann et aI., 1974, Shettyet aI., 2002).

Os leiomiomas e os angiomiomas foram trata­dos comumente como duas formas da mesma lesão básica e relatados em conjunto como uma entida­de. Já foi sugerida a possibilidade de haver uma pro­gressão das lesões: hemangioma, angiomioma com muito músculo liso, leiomioma vascular, leiomioma com muitos vasos e leiomioma sólido. Foi proposto que o leiomioma vascular pode ser uma fase do pro­cesso contínuo de proliferação do músculo liso (Shafer, 1985).

DESCRIÇÃO DO CASO

Paciente G.S., gênero feminino, nove anos, cor parda, com queixa de “inchaço” no lado esquerdo da face, com início aproximado de dois meses. Ao exame físico, apresentou-se em bom estado geral, afebril. Durante o exame clínico, notou-se aumento volumétrico extrabucal sem sintomatologia doloro­sa. Não relatou qualquer problema sistêmico (Figu­ra 1).

Ao exame radiográfico, executado através de radiografia panorâmica, observou-se um trabeculado ósseo compatível com a normalidade (Figura 2).

Optou-se pela enucleação da lesão. Foram rea­lizadas antissepsia extra e intrabucal com PVPI degermante tópico, anestesia local com c1oridrato de articaína e adrenalina 1: 100.000, seguida de incisão da mucosa com bisturi montado (Figura 3), lâmina 15, enucleação da massa (Figura 4), por divulsão, com auxílio de tesouras de Metzenbaun, na região entre músculo masseter e mucosa jugal, no lado es­querdo da mandíbula e fechamento primário da mucosa, através de sutura com fio de ny/on 5-0 (Etchicon) em pontos interrompidos.

Não foi utilizada antibioticoterapia prévia à exérese da lesão. Após, utilizou-se amoxicilina 250mg a cada seis horas por via oral (7 dias); bochechos com digluconato de c10rexidina a 0,12%, foram reali­zados duas vezes ao dia, durante sete dias.

O exame histopatológico diagnosticou angio­mioma (Ieiomioma vascular). O exame imuno­histoquímico mostra células da lesão positivas a actina músculo-específica e actina do músculo liso. A evolução clínica foi favorável a esse tratamento.

DISCUSSÃO

O angiomioma é composto de feixes entrelaça­dos de fibras musculares lisas, entremeadas com quantidades variáveis de tecido conjuntivo e vasos sangüíneos. Os núcleos são tipicamente fusiformes com extremidades rombas e bastante vesiculares (Shafer, 1985).

O diagnóstico microscópico ocasionalmente pode ser difícil, porque a proliferação das células fusiformes tem muitas semelhanças com o neurofibroma, o schwannoma e a fibromatose. Métodos especiais de coloração para identificar o colágeno podem ser úteis na diferenciação das lesões. A demonstração imuno­histoquímica dos miofilamentos protéicos (exemplo: actina do músculo liso) também é significativa. Um subtipo microscópico, conhecido como leiomioma vascular, apresenta vasos com paredes espessas as­sociados a células musculares lisas bem diferencia­das (Reichart, Reznik-Schuller, 1977; Regezi, Sciubba, 1991). Geralmente são indolores e sua coloração in situ varia de azulada a avermelhada, conforme a quantidade de vasos sangüíneos ou a profundidade do tumor dentro da mucosa (Gutmann et aI., 1974). Também podem ser tumores com sintomatologia do­lorosa, pois são originados de tecidos contráteis (Bork et aI., 1990).

Na cavidade bucal, sua ocorrência é rara, de crescimento lento, não-ulcerativa, bem delimitada, que varia em tamanho de poucos milímetros até três centímetros. A consistência é variada, geralmente é firme em lesões pequenas, mas pode ser de consis­tência amolecida nas lesões maiores (Gutmann et ai., 1974; Garrett, 1969).

O diagnóstico clínico é muito difícil, pelo fato de a lesão ser rara e não muito conhecida. No lábio, é comumente diagnosticada como mucocele. Em outros locais, pode ser diagnosticada como fibroma ou neurofibroma. Sua predileção é por adultos entre 40 e 60 anos, em uma proporção de 2: 1 para o gênero masculino (Gutmann et aI., 1974, Shetty et aI., 2002).

Os poucos casos relatados na literatura de angiomioma na cavidade oral sugerem um aprofun­damento em seu estudo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base neste levantamento, pode-se concluir que:

.0 tratamento do angiomioma é cirúrgico con­servador;

• É de difícil diagnóstico clínico, sendo sua con­firmação possível através do exame histopatológico.

FONTE: REVISTA JBP, ano6, volume6 – número 2003